quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Been there, Don Det




Hoje enquanto atravessava o Mekong numa das muitas pequenas embarcações que abundam rio fora, tive que repetir para comigo mesma: isto é real, está mesmo a acontecer. O cenário era tão idílico que precisei de parar por uns instantes para o digerir. Andando sempre de um lado para o outro, quase todos os dias se vêm coisas incríveis. E às vezes esquecemos-nos de parar para apreciar o que nos rodeia. Don Det é um desses sítios que nos sugam, onde vamos ficando e quase nos esquecemos que a dada altura será necessário seguir viagem.

Apesar de ser o único país do sudeste asiático que não tem fronteira marítima, o Laos é ainda assim casa de um lugar mágico chamado 4.000 Islands. Ilhas incontáveis, povoações que de tão autênticas e intocadas quase parecem pequenas tribos, cascatas de fazer suster a respiração. Para além da beleza mística deste sítio, Don Det é simultaneamente um lugar de extremos. É perfeito para nos entregarmos ao dolce fare niente com os hippies que deambulam pela ilha, rebolando de esplanada em esplanada em busca da próxima iguaria gastronómica ou de mais um dos inacreditáveis pôr do sol que dão nome a este lugar. Mas Don Det também é vocacionado para as atividades outdoor. Aqui passei várias horas de kayak rio abaixo, outras tantas de bicicleta de uma ilha para a outra, desci rápidos sem saber se tinha coragem (e aptidão) para o fazer, e escalei sítios inóspitos em busca de algumas das muitas cascatas que por aqui existem.

Vi crianças brincarem despreocupadas nas ilhotas que decoram o rio, enquanto as respetivas mães colhiam bivalves nas margens do mesmo. E miúdos com não mais do que dez anos de idade tirarem peixe do rio como se de uma brincadeira se tratasse. Ver a vida local acontecer desta maneira é para mim das melhores coisas de viajar. Sem desprimor de tudo o que se pode fazer em viagem, o mais puro dos prazeres reside nesta simplicidade de observar a vida a acontecer num ritmo que não é o meu, numa realidade incrivelmente distante da minha.

O Laos não se podia ter apresentado com um melhor postal do que este, uma espécie de ginásio, mas na natureza. Moída e cansada me confesso, mas ansiosa por quantos mais estrangeirismos couberem na minha já pequena carteira: hyking, cycling, kayaking, rafting and so on. Não me levem a mal o abandono momentâneo do português, mas é que ao fim de uns meses, até os meus sonhos já são em inglês. Go figure!

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