quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Indonésia 360



Kuta, Seminyak, Flores, Komodo, Lombok, Gili, Nusa Penida, Ubud, Uluwatu, Canggu.

Que jornada intensa que foi este mês de Indonésia! Quando saí de Portugal, foi provavelmente o país sobre o qual recebi mais conselhos - especialmente sobre a tão famosa Bali, que sempre me soou a terra prometida por habitar os sonhos de tanta gente em terras lusas. Felizmente, há mais Indonésia para além de Bali, e é difícil tecer uma opinião estruturada e isenta sobre o país. Sobre Bali, muitos me disseram que era a minha cara, que quando cá chegasse não ia querer ir embora, que era melhor deixá-la para o final. Talvez o meu eu de há uns meses atrás tivesse concordado. Mas dei por mim a apreciar mais a tranquilidade das estradas nas Flores, a inóspita Komodo, o dolce fare niente exigido por Nusa Penida, e até o silêncio meditativo da minha primeira passagem por um Ashram em Ubud.

A diversidade cultural, de costumes e de paisagens muda quase drasticamente conforme a ilha onde estejamos. Lembrarei sempre a Indonésia como o país onde passei quatro dias a bordo de um barco, várias horas ao largo de um vulcão ativo, onde aprofundei a minha prática de meditação, onde viajei com pessoas que me desafiaram, onde conheci o dragão de Komodo, e onde vi finais de tarde onde quase podia jurar que os barcos pendiam no ar, de tão inexistente que era a linha que normalmente divide o céu e o mar. Conheci brasileiros que me relembraram o porquê de amar tanto o Brasil, holandesas que me fizeram ter saudades minhas quando ainda não tinha 20 anos, e percebi que precisava de voltar a viajar sozinha, já que passei todo o tempo rodeada de outros viajantes. E senti falta de me ouvir a mim mesma, só a mim e às minhas deambulações. Engraçado recordar que no início temi esta premente solidão que antevia numa viagem só minha. E agora dou por mim a desejar mais momentos meus, de olhar para dentro e ouvir com atenção o que é que afinal quero da estrada que escolho percorrer dia após dia.

A Indonésia veste-se sem dúvida de uma espiritualidade especial, especialmente se nos predispomos a ouvir para além do imenso apelo comercial que nos é feito em cada esquina - seja para táxis, roupas, massagens ou tours. Para tudo há um preço, e centenas de vozes que rezam a mesma oferta numa ladainha sem fim. Mas nos lugares onde esse rumor não chega, há espaço para mais, para abrir os braços com calma e respirar de peito aberto este país tão peculiar.





6 comentários:

  1. Sua lindeza! Adorei fazer parte um pouquinho dessa história! E sobre a perturbação da mente, concordo! Mas fica difícil escolher estar sozinho quando tem tanta gente alto astral e interessante por aí né?! Espero que nossos caminhos se cruzem logo!! Beijão ����

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