segunda-feira, 8 de novembro de 2021

O dia em que quase morri num acidente de mota no Equador

 

Ontem cheguei a um hostel e um dos planos para a tarde era um tour de moto quatro. Algo dentro de mim me dizia que não de via ir, mas ainda assim pensei que não se iria passar nada e fui na mesma.


 Estamos numa zona num vale completamente rodeado de montanhas. Portanto à medida que íamos subindo, vários abismos se abriam à nossa direita. Em certas partes do caminho, via que havia abatimentos de terra que provocavam buracos na estrada e que se a roda tocasse num desses buracos, resvalávamos abismo abaixo. Pedi ao condutor que tivesse atenção a estes buracos pois eram bastante perigosos. Nem de propósito, uns metros mais à frente um destes buracos abre-se na estrada fazendo com que ele perdesse o controle da moto e caíssemos para o leito do rio. Num primeiro momento a moto parece que vai imobilizar-se, o que não aconteceu. Entretanto a mota capotou para cima de nós, ele ficou preso debaixo da mota e eu com as pernas também lá presas. O assustador foi que a mota balançava ameaçando a todo momento desfazer a minha cara. Eu não consegui libertar-me e só gritava com ele implorando em pânico para que por favor não se mexesse porque senão a mota ia me destruir a cara. Não sei se estão bem a perceber, mas estamos a falar de um peso entre 200 a 300 quilos a balançar sobre a minha cabeça. Entretanto naquilo que pareceu ser uma eternidade o condutor de outra mota vem e segundo ele puxou-me debaixo da mota, o que sinceramente com o trauma do momento, nem sequer me lembro de ter acontecido. Na minha cabeça fui eu que sai de lá sozinha. Claro que com a adrenalina não é possível de perceber logo se há alguma com coisa partida. Entretanto subi a encosta do rio e fui levar a minha mão direita inchada para dentro de água pois parecia estar partida. Uma hora depois passou um carro com quem apanhei boleia para ir ao hospital fazer um raio X. E nesse momento já só procurava voos de regresso a casa - o instinto de sobrevivência só me fazia querer voar daqui para fora. Já tinha acontecido exatamente o mesmo quando parti o dedo da mão esquerda a andar de skate no Vietname. A verdade é que depois tomas um dos analgésicos e quando soube que não estava a partida tudo dentro de mim ficou mais calmo. E pude finalmente chorar de alívio quando percebi que ontem todos os meus guias e todos os astros se alinharam para que eu sobrevivesse, apesar de sentir que vi a morte de frente naquilo que foi provavelmente o mais assustador acidente de toda a minha vida. 


E aprendi a minha lição: nunca mas nunca mais ignorar a minha intuição. Porra, estou viva. E agradecida.


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