Mergulhamos os três no Mar do Japão em genuíno desprezo pela nortada e pelas temperaturas outonais desta tarde premonitória de novembros. Eu, a francesa Mona, o israelita Hallel - que por sinal, mergulha no mar pela primeira vez. A água é tépida para mim, habituada que estou às correntes frias do Atlântico, mas fresca para o Hallel, frequentador assíduo desse caldo quente que é o Mar Morto. E sim, é verdade, até no Japão a nortada me persegue. O Oeste sempre presente. Mas mais do que o vento, e mais do que este clima tão parecido ao nosso, sinto-me imediatamente perto de casa mal os meus pés sentem a rebentação. De alguma forma, esta imensidão de água que literalmente nos liga faz-me sentir mais próxima às minhas raízes portuguesas, quase a 11.000 kms de distância - o mais longe que alguma vez estive de casa. Como se do outro lado do globo pudesse sentir os pés daqueles que amo tocarem esta mesma água, bafejo doce de saudade e de amor neste simples gesto de "tocar o mar" - já dizia o meu amigo Jerôme. Je vais toucher la mer.
Depois de algumas posições de yoga, sento-me na posição de lótus, e não me lembro de alguma vez me ter sentido tão confortável assim sentada nesta postura nem sempre fácil. E assim me deixo ficar, por tempo indeterminado, por mais tempo do que me lembro me ter deixado assim sentada, sentindo o vento, os salpicos de mar, estes pequenos laivos de plenitude. A casa onde vivo agora apresenta-se logo à entrada: "Slow life Japan". E eu, ansiosa e apressada que sou, nunca pensei que seria capaz de vestir tão bem esta camisola de tempos retalhados em pequenas e delicodoces doses.
Esta manhã protegemos a plantação de morangos com plástico, colhemos as flores que afetam a plantação de chá, e ainda acabámos de aplicar cimento num dos muros que se está a construir em torno à propriedade.
Fiz pão pela primeira vez, um doce de caqui, (fruta cuja existência desconhecia), e tenho-me reinventando em cozinhados com alimentos e temperos para mim totalmente novos - as compras para a casa são feitas por terceiros, e é preciso transformar os alimentos em refeições com alguma criatividade - muitos deles nunca os tinha visto nem sei bem do que se tratam. Satisfaz-me tanto conseguir dar-lhes a volta, mas agrada-me ainda mais apreciar o agrado com que estes meus novos amigos acolhem os meus cozinhados - que modéstia à parte, me dizem ser deliciosos.
E não é que afinal sabe (tão) bem viver devagar.



Que bom ritmo ! 💕
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EliminarE devagar meti a leitura em dia e adorei. Agora que já estou updated, resta desejar que nos vás mantendo neste estado. tudo a correr bem desse lado da Bola. bjs!
ResponderEliminarOh obrigadaaaa amigo 💛
EliminarVai andorinha!! <3
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