Julgo não estar errada ao afirmar que é consenso comum que a América Latina não é o lugar mais amigável para mulheres que viajam sozinhas.
E por esse motivo, uma das coisas de que me encontro privada nesta viagem é de poder fazer couchsurfing, sendo eu precisamente uma mulher que viaja sozinha. Por isso decidi aproveitar a companhia do meu novo amigo austríaco Thomas, que conheci no Equador, para tentar encontrar um anfitrião e assim juntos em segurança estarmos com locais.
O que se revelou uma decisão desastrosa.
O Thomas encontrou um anfitrião com quem combinámos encontrar-nos pela hora de almoço. By the way, supostamente seria alguém da comunidade LGBT, o que de alguma forma também nos tranquilizou. Uma vez chegados ao local combinado, ficámos em frente a um talho enquanto esperávamos pelo nosso anfitrião, naquilo que percebemos ser um bairro com um aspecto extremamente duvidoso.
Claro que não passámos despercebidos E percebemos imediatamente que estávamos a ser observados. Dois miúdos brancos, de aspecto acidental, mochila às costas. O alvo perfeito. De repente, tudo escalou muito depressa. O talhante disse-nos que devíamos entrar e esperar dentro do talho pois íamos ser roubados. Já estavam de olho em nós e especialmente nas nossas malas. Passados nem cinco minutos, chega um polícia de mota que me chama para sair do talho. Já nos tinham avisado que aqui a polícia também não é de confiar. Por momentos achei que me estava a acusar de alguma coisa e não a tentar ajudar-me. Entretanto percebi que se tratava exatamente do oposto. Perguntou-nos o que estávamos ali a fazer e avisou-nos mais uma vez que íamos ser roubados. Ainda tentou ligar ao nosso anfitrião mas insistiu que não devíamos esperar por ele nem mais 5 minutos. Avisou-nos de que devíamos seguir atrás dele pois iria escoltar-nos em segurança para uma rua mais segura. Por esta altura, eu e o Thomas estávamos completamente perdidos, eu confusa já tremia, de braço ao peito do acidente na moto 4, sem perceber muito bem como é que esta situação tinha escalado tão rapidamente. Tivemos sorte. Fomos ajudados pelo talhante, pelo polícia, e por outros locais que falaram connosco e nos tentaram alertar para a zona onde nos encontrávamos. E assim somámos mais uma história de sobrevivência às nossas aventuras pela América Latina.
Desenganem-se: isto não é mesmo para meninos.


